Abertura adiada

Museu da Fotografia de Curitiba.


Patrocínio: Airez Art Projects, Revista Iso 400 e FarbeWerk Fine Art.
Apoio: Fundação Cultural de Curitiba / Prefeitura de Curitiba / Museo da Fotografia / Memorial de Curitiba.


Release

DATA DE ABERTURA ADIADA!
AINDA SEM DEFINIÇÃO

Arte, luto e empatia: exposição “Corpos Utrópicos” estreia em Curitiba no Museu da Fotografia/Memorial. Mostra reúne cinco artistas contemporâneos em diálogo com a psicanálise, a filosofia e a resistência simbólica. Abertura será no dia 17 de agosto, com entrada gratuita A exposição “Corpos Utrópicos” será inaugurada no dia 17 de agosto de 2025, às 11h, pelo Museu da Fotografia da Cidade de Curitiba, mas com apresentação no Memorial de Curitiba, (R. Claudino dos Santos, 79 – São Francisco), reunindo obras de cinco artistas contemporâneos:, Everton Leite, Julie Fank, Guadalupe Fernandez Presas, Milla Jung e Xavier Fernandez. A troca de endereço é por causa das reformas na sede original do Museu da Fotografia e a visitação segue até 9 de novembro, com entrada gratuita. Com curadoria de Guilherme Zawa, a mostra propõe um mergulho sensível e conceitual sobre a arte enquanto força de resistência simbólica. As obras dialogam com o luto, a política e a reinvenção do desejo, compondo um território onde o que é ausente torna-se matéria para criação e transformação. “A exposição propõe um exercício de empatia radical diante das ausências que nos atravessam corpos, afetos e histórias que a arte não deixa desaparecer”, diz Guilherme Zawa. Inspirada por pensadores como Byung-Chul Han, Michel Foucault e Jacques Lacan, “Corpos Utrópicos” provoca uma reflexão sobre o lugar da arte diante da hiperexposição e da dessensibilização contemporânea. A proposta curatorial investe na ideia de “empatia radical” – não como mero afeto, mas como experiência estética e política que reconfigura a existência. Destaques: Dessa seleção resultam: as obras de Guadalupe Fernandez Presas, que reinventam memórias afetivas, produzem sentidos reverberados e desdobramentos derivados da escrita com a imagem, fotografias costuradas em radiografias e impressas em papel sulfite datilografado; as fotografias de Milla Jung que criam efeitos de superfície, artifícios para lidar com a natureza irredutível da realidade contemporânea; os retratos e objetos de Xavier Fernandez, que demostram o real intocável da cultura, que por autoralidade do desejo se refaz para além dos moldes sociais; as fotos e objetos familiares de Everton Leite, que se indaga sobre a irredutível passagem do tempo, sustentado presentificação das memórias do passado. Trançando o conjunto, Julie Fank pergunta “que memória você esqueceu?”, envolvendo o público presente em um experimento artístico participativo sobre aquilo que compõe essencialmente a gênese da fotografia: a efemeridade da memória. Programação de abertura – 17 de agosto (domingo), às 11h • Abertura oficial da exposição com presença dos artistas • Visita guiada com o curador Guilherme Zawa • Fala do editor da Revista ISO 400 Magazine, Ricardo Marques de Medeiros, sobre a conexão entre arte, imagem e resistência • Leitura performática de texto curatorial e intervenção artística (a confirmar) Serviço Exposição: Corpos Utrópicos: Empatia Radical e Reinvenção Curadoria: Guilherme Zawa Artistas: Milla Jung, Xavier Fernandez, Guadalupe Fernandez Presas, Everton Leite e Julie Fank Local: Memorial de Curitiba – R. Claudino dos Santos, 79 – São Francisco Abertura: 17 de agosto de 2025 (domingo), às 11h Visitação: até 2 de novembro de 2025 Horários: Terça a sexta, das 9h às 12h e das 13h às 18h Sábados, domingos e feriados: das 9h às 15h Entrada: Gratuita Classificação indicativa: 12 anos Redes sociais: @fcccuritiba Contatos para a imprensa Ricardo Marques de Medeiros Assessoria de Comunicação (41) 99603-9173 ricardomarquesmedeiros@yahoo.com.br Curador: Guilherme Zawa (41) 99559-2969 guilhermezawa@gmail.com Material de divulgação (fotos, portfólios e textos): disponível mediante solicitação por e-mail. Nota A exposição Corpos Utrópicos faz parte da agenda do Museu da Fotografia da Cidade de Curitiba, que está em reformas. O Memorial de Curitiba é um dos espaços culturais mais emblemáticos da cidade, localizado no coração do centro histórico. A exposição Corpos Utrópicos integra o conjunto de exposições apoiadas pela Fundação Cultural de Curitiba/Prefeitura de Curitiba, que incentiva projetos que articulam expressão artística e reflexão social.

Empatia Radical. Arte luto e reinvenções.

De Guilherme Zawa, curador.
Necessitamos uma empatia radical como prática estético-política capaz de responder às crises de simbolização do contemporâneo que opere como dispositivo de luto coletivo. A sociedade marcada pela hiperexposição e pela dessensibilização algorítmica, demanda gestos artísticos que desmontem estruturas de visibilidade vigentes, propondo novas formas de co-autoria com o humano, o não-humano e o futuro. Se pode chamar de luto (no sentido psicanalítico e filosófico) o processo radical de transformação subjetiva que revela a estrutura mesma do desejo e da existência, não se trata apenas de elaborar uma perda externa, mas de confrontar a própria natureza da falta que constitui o sujeito. Lacan nos mostra que o objeto perdido — seja uma pessoa, um ideal ou uma fase da vida — funciona como ponto de ancoragem imaginário que organiza o desejo. Quando ele se vai, não desaparece apenas algo exterior: desmonta-se uma fantasia que sustenta a ilusão de completude. A dor do luto, assim, é a dor de reencontrar a falta primordial, aquela que sempre esteve lá, mas que o sujeito mascarada com investimentos afetivos. Byung-Chul Han (2017) descreve nossa era como a do capitalismo de desempenho de emoções, onde a empatia é simultaneamente demandada e esvaziada em seu sentido. Nas redes sociais, choramos imagens de desastres entre anúncios; compartilhamos retratos de guerra como se fossem conteúdo consumível. Essa existência espetacular - rápida, descartável e não-transformadora - revela uma crise mais profunda: a incapacidade de elaborar a costura alinhavante entre a realidade externa e a ética pessoal. O fio que aproxima emoções paradoxais, pouco a pouco, sem fechar totalmente, aproximando significantes aparentemente distantes, e assim, criando a estrutura para a vivência dos processos de luto-luta em um capitalismo psíquico de autoexploração emocional. Por sua vez a filosofia ecoa e amplia a dimensão trágica dessa experiência. Heidegger diria que o luto nos joga diante da 'ser-para-a-morte', expondo a finitude como condição inescapável. Não choramos apenas o outro, mas a desilusão de nosso próprio projeto de eternidade. Já Derrida radicalizaria: o luto é impossível, porque o perdido insiste como espectro; nunca o enterramos de fato, apenas aprendemos a dialogar com seu fantasma. Essa impossibilidade, no entanto, é o que abre a via para a transformação. Se o luto fosse simplesmente superar perdas, seria apenas ajuste, mas o trabalho verdadeiro do luto é reinventar o desejo a partir do buraco. Não se trata de substituir o objeto, mas de reconfigurar a vida psíquica em torno dessa ausência irredutível. Se a filosofia converge com a clínica o luto seria "morrer para renascer" — destruir os ídolos antigos para criar novos valores; o momento da antítese da dialética, sem o qual não há movimento do espírito, ou uma chave política ao nos fazer reconhecer que dependemos do outro para refundar uma ética da vulnerabilidade. Nesse contexto, nasce a necessidade de uma empatia radical, 'ser-com' o outro como gesto de desobediência simbólica. Um 'por-se-em-obra' da verdade desde uma perspectiva estética, tendo a arte condensada na noção da poesia. Temos assim, um gesto artístico fundador de um 'ser-obra' para um 'ser-com' o fazer artístico não apenas das obras, mas de um 'ser-em-obra'. (Heiddeger, 1936). A arte enquanto gesto de 'por-se-em-obra' pode em um movimento duplo rejeitar e aceitar gestos éticos, suspendendo espaços simbólicos para o luto produzir um corpo empático, somando leituras para desafiar a hipervisibilidade atual carregada de exposição, mas pobre de intimidade. Foucault, em seus escritos sobre os ‘corpos utópicos’ (2013), lembra-nos que a resistência política passa pela reinvenção material do corpo não como território dócil, mas como espaço de experimentação de outros possíveis. A arte, ao tornar visíveis corpos que escapam às gramáticas do poder, atualiza essa utopia concreta: um luto que não se resigna, mas inscreve no próprio gesto a memória do que foi perdido e a promessa do que ainda pode vir. Williams (2021) entende a arte como processo que transforma afetos brutos em formas simbólicas compartilháveis. Nesse contexto, artistas convocam o espectador a confrontar seu próprio lugar nesse drama. Se Foucault via nos corpos utópicos uma ‘heterotopia’ (2013) — lugar real que suspende as coordenadas normativas —, a empatia radical opera de modo análogo: ela é o intervalo onde o luto vira semente, onde a perda não é apagada, mas transformada em linguagem que nos reorganiza. Ainda que o Outro seja inacessível a arte torna presente a lembrança do real irredutível um resíduo sobre o qual se pode elaborar. Essa abordagem ecoa Williams: a arte como processo, não produto. O luto, portanto, não é passivo, mas um ato criador. O sujeito não 'volta ao normal', porque o normal era justamente a fantasia que a perda despedaçou. Ele agora escreve, sobre o vazio, uma nova maneira de habitar o mundo. A transformação pelo luto não está no preenchimento da falta, mas no gesto corajoso de fazer dela o ponto de partida. "O que se perde no luto não é o objeto, mas o lugar que ele ocupava — e agora é tarefa do sujeito reinventar seu próprio mapa." Uma empatia radical não seria sobre sentir mais, mas sobre interromper os fluxos que nos impedem de sentir. A arte, ao materializar o luto sem resolvê-lo, ao inverter as hierarquias do visível ou ao insistir no negativo, nos obriga a parar. A verdadeira empatia começa onde termina a compreensão. Resta-nos, então, aprender a habitar o inacabado. _________________________________ Referências: FOUCAULT, Michel. Corpos utópicos, espaços heterotópicos. In:. Ditos & Escritos V: Ética, Sexualidade, Política. Tradução de Elisa Monteiro. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2013. p. 146-161. HAN, Byung-Chul. A sociedade do cansaço. Tradução de Enio Paulo Giachini. Petrópolis: Vozes, 2017. HEIDEGGER, Martin. Ser e tempo. Tradução de Fausto Castilho. Campinas: Editora da Unicamp; Petrópolis: Vozes, 2012. LACAN, Jacques. O seminário, livro 10: A angústia. Rio de Janeiro: Zahar, 2005. DERRIDA, Jacques. Espectros de Marx: O estado da dívida, o trabalho do luto e a nova Internacional. Tradução de Anamaria Skinner. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1994. WILLIAMS, Raymond. Marxismo e literatura. Tradução de Waltensir Dutra. Rio de Janeiro: Zahar, 2021.

Abertura dia 17 de agosto de 2025

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